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Câncer de pênis: tema pouco passado a limpo

Tendo como protagonista o ídolo do esporte brasileiro, Zico, ex-jogador de futebol que encantou o mundo enquanto ostentava a camisa 10 de clubes como o Flamengo e da seleção brasileira – a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) trouxe uma campanha alusiva ao câncer de pênis, doença associada com falta de higiene e comportamento sexual de risco para contaminação pelo vírus HPV. Uma ousadia bastante oportuna que, felizmente, foi noticiada por alguns veículos de imprensa. A boa recepção ao tema, segundo o urologista e presidente da SBU, Aguinaldo Nardi, não ocorreu por parte de uma parcela dos meios de comunicação. “Existe uma tendência a não querer falar de algo tão ruim para o homem. Infelizmente temos que trabalhar muito para que esta doença possa ser erradicada no Brasil, assim como foi em outros países desenvolvidos”, destaca Nardi.

Em sua linguagem visual, a campanha mostra o Zico segurando um sabonete e convidando os homens a fazer a limpeza correta do pênis. Para muitos pode até parecer simplista explicar isso, para outros – que nunca ouviram falar da importância de expor a glande e lavá-la, assim como todo o órgão, durante o banho – é algo que pode fazer uma grande diferença. Dados da SBU apontam que, anualmente, não amputados mil pênis no Brasil. Algo inadmissível por se tratar de uma doença prevenível.

zico

Com o slogan Câncer de Pênis Zero, a campanha incluiu um vídeo, no qual o Zico fala diretamente aos homens, abrindo com uma pergunta. “Você sabia que o pênis pode ter câncer? E a boa notícia é que a doença pode ser prevenida lavando o pênis todos os dias. Puxe a pele para trás e lave com água e sabão. Se você não conseguir puxar a pele para trás ou notar alguma ferida, procure um urologista. Câncer de pênis – água e sabão é a melhor prevenção”, narra o ex-atleta e técnico de futebol atualmente em ação no Qatar.

Em entrevista exclusiva ao jornalismOncologia, Aguinaldo Nardi relata os desafios da SBU em conscientizar a população – e a mídia – sobre a importância da prevenção do câncer de pênis.

jornalismOncologiaA Sociedade Brasileira de Urologia foi a primeira instituição a levar para a mídia brasileira a informação de que são amputados mil pênis todos os anos no país. Como foi a aceitação deste dado por parte dos veiculos de comunicação? E pela população?
Aguinaldo NardiNo primeiro momento houve certa repulsa da mídia em publicar qualquer notícia sobre esta doença, que afeta não só o pênis, mas também a alma das pessoas. O tratamento é muito mutilante, já que a única opção curativa é a cirurgia, e a amputação depende do estadiamento da doença. Quanto mais avançada é a moléstia, maiores são as consequências do tratamento. Por outro lado, a população foi extremamente receptiva, participando de forma ativa, assistindo aos nossos vídeos que foram apresentados nos locais de grande conglomeração.

A campanha da SBU relacionada ao câncer de pênis traz uma imagem do Zico, em primeiro plano, exibindo um sabonete seguido por dizeres que alertam para a importância de lavar o pênis com água e sabão. Como se trabalhou para se transmitir uma imagem que, embora pudesse chocar algumas pessoas, fosse eficaz em deixar seu recado?
Agradecemos muito ao Zico pela participação durante todos estes anos (Nardi se refere à campanhas anteriores), colaborando com a SBU e ajudando a tornar este assunto mais aceitável. A imagem do Zico é de um profissional sério e competente e isto com toda certeza colaborou para que as pessoas aceitassem conhecer este problema.

A falta de higiene é, de fato, o maior fator de risco para câncer peniano? Qual é a parcela de “culpa” do sexo sem proteção, contaminação pelo vírus HPV, dentre outros fatores de risco?
Os fatores de risco para o aparecimento do câncer de pênis são: falta de higiene, presença de fimose e DST, principalmente o HPV número 16. Todos estes fatores são importantes, mas a falta de higiene constitui o principal fator.

Há uma resistência maior por parte da mídia em noticiar o câncer de pênis em relação aos demais tumores urológicos?
Sim, existe uma tendência a não querer falar de algo tão ruim para o homem. Infelizmente temos que trabalhar muito para que esta doença possa ser erradicada no Brasil, assim como foi em outros países desenvolvidos.

Como a SBU busca inserir o câncer de pênis, próstata, bexiga e rim na agenda jornalística? As estratégias variam?
A estratégia é desenvolver projetos para cada tipo de câncer com informação para o público leigo, clínicos gerais, médicos da Estratégia Saúde da Família, agentes comunitários e todos aqueles profissionais que trabalham diretamente na área da saúde.

O homem vai menos ao médico e, quando vai, é na maioria das vezes “arrastado” pela esposa, fillha, mãe, etc. A imprensa tem contribuído para a quebra de tabus, por exemplo, relacionados ao exame de toque retal?
Mais de 80% dos homens procuram o médico por imposição de sua família, principalmente a esposa e os filhos. Apenas 11% relatam terem sido influenciados pela mídia. Portanto, este é um problema que se remete a todos, governo, sociedade organizada e imprensa.

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Blog do jornalista Moura Leite Netto, botonista amador, osasquense, são-paulino, torcedor também do Napoli, Lakers e Patriots e mestre e doutorando em Oncologia.

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