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Em filme, a descoberta do gene BRCA1 por Marie-Claire King

Em duas oportunidades, nos anos de 2013 e em março deste ano, a atriz Angelina Jolie fez com que a mídia direcionasse suas atenções para o tema hereditariedade do câncer, mais precisamente para a síndrome de câncer de mama e ovário hereditário, cujo personagem central é o gene BRCA1. Angelina é portadora de uma mutação neste gene, o que a coloca em um grupo de alto risco para desenvolvimento destes dois tipos de câncer, conforme ela mesmo descreveu em artigos publicados no jornal The New York Times. Com estes relatos pessoais trazidos pela atriz muitas mulheres em todo o mundo se viram nela representada. Estima-se que a hereditariedade represente 5% a 10% dos casos de câncer.

Assim como Angelina Jolie, Annie Parker herdou a mesma alteração genética. E sua história real é o ponto central do filme Decoding Annie Parker, intitulado no Brasil como Unidas pela Vida. Interpretada pela atriz inglesa Samantha Morton (indicada ao Oscar duas vezes na categoria de melhor atriz coadjuvante por Poucas e Boas (1999) e Terra de Sonhos (2004), a vida de Annie Parker é retratada desde sua infância, quando se dá, ainda na década de 1960 – a morte de sua mãe, vitimada pelo câncer, assim como havia ocorrido com a avó e posteriormente ocorreu com a irmã de Annie.

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Estes casos fatais registrados na família fizeram Annie acender o sinal de alerta. Tornam-se rotineiros os movimentos de autoexame das mamas, fazendo com que o público se angustie com a possibilidade de a protagonista também ser diagnosticada com um tumor maligno. Paralelamente, a geneticista Marie-Claire King e o grupo de pesquisa por ela liderado buscavam algo que pudesse explicar a ocorrência de casos de câncer de mama em mulheres da mesma família, com a proposta de evidenciar não se tratar de eventos aleatórios. A médica é interpretada por Helen Hunt, mundialmente conhecida por protagonizar nos anos 1990 a série Mad About You e por papéis marcantes no cinema, dentre eles sua atuação em Melhor É Impossível.

O filme retrata a saga de Marie-Claire King a partir de um estudo com doze famílias de alto risco (50 pacientes). Uma jornada que duraria muitos anos – com os marcos resumidamente mostrados de forma bastante clara nesta produção roteirizada e dirigida por Steven Bernstein – e que culminou na descoberta do gene BRCA1, valendo para a cientista a condição de membro da National Academy of Sciences, dos Estados Unidos, em 2005.

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O mérito desta produção está em ilustrar um período no qual a hereditariedade do câncer era desconhecida e, consequentemente – no caso específico da síndrome de câncer de mama e ovário hereditário – não estava em pauta temas como mapeamento e aconselhamento genético, rastreamento para grupos de alto risco por meio de mamografia e exames complementares ou até mesmo medidas profiláticas (retirada preventiva de um órgão para redução de risco). Destaque também para a atuação do ator Aaron Paul no papel de Paul, o marido de Annie Parker. Ao mesmo tempo que Paul compartilhou dos melhores dias de Annie, ele precisa ser forte – encontrando maturidade onde parece não haver – para ser o companheiro de fato que sua esposa necessita. Nuances em sua personalidade que são muito bem trabalhadas pelo ator que já tinha se visto diante do tema câncer entre 2008 e 2013, período no qual esteve no papel de Jesse Pinkman na série Breaking Bad.

Confira:
Trailer do filme Decoding Annie Parker (Unidas pela Vida) – https://www.youtube.com/watch?v=xngjudCaKCg

Referências Bibliográficas:
Hall JM, Friedman L, Guenther C, Lee MK, Weber JL, Black DM, King MC. Closing in on a breast cancer gene on chromosome 17q. Am J Hum Genet. 1992, Jun;50(6):1235-42. – http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/1598904

Friedman LS, Szabo CI, Ostermeyer EA, Dowd P, Butler L, Park T, Lee MK, Goode EL, Rowell SE, King MC. Novel inherited mutations and variable expressivity of BRCA1 alleles, including the founder mutation 185delAG in Ashkenazi Jewish families. Am J Hum Genet. 1995 Dec;57(6):1284-97. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8533757

Welcsh PL, King MC. BRCA1 and BRCA2 and the genetics of breast and ovarian cancer. Hum Mol Genet. 2001 Apr;10(7):705-13. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11257103

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Blog do jornalista Moura Leite Netto, botonista amador, osasquense, são-paulino, torcedor também do Napoli, Lakers e Patriots e mestre e doutorando em Oncologia.

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