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Mídia social mostra sua força na ASCO 2020

O Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), evento anual que traz os mais robustos estudos sobre novos medicamentos e cuidado multidisciplinar dos pacientes oncológicos, ocorreu entre os dias 29 e 31 de maio. Ao invés de presencial, em Chicago, pela primeira vez o evento ocorreu por plataforma on-line. No evento, o papel da Comunicação foi destacado por meio do painel Tweets, Likes e Posts: Aproveitando o Poder das Mídias Sociais.

ASCO 2020 ocorreu remotamente por conta da pandemia de Covid-19

Neste painel, foram apresentados três estudos sobre o impacto do Twitter, Facebook e plataformas de vídeos para a difusão de informação qualidade sobre câncer e potenciais acertos e novos caminhos a serem trilhados, por exemplo, para reduzir as disparidades quanto ao acesso por diferentes perfis de público.

No estudo “Uso de mídia social entre os centros de câncer designados pela NCI: Onde está a diversidade?”, foram analisadas todas as postagens originais de perfis nas mídias sociais dos National Cancers Centers (NCCs), dos Estados Unidos, no Facebook e Twitter durante os 365 dias de 2019. Os autores analisaram o idioma, o conteúdo de cada postagem, assim como o sexo e raça/etnia dos indivíduos apresentados em imagens e vídeos. O conteúdo foi categorizado em triagem, ensaios clínicos, cuidado de profissionais de saúde ou história do paciente.  

A primeira barreira observada foi a linguística, pois somente cinco NCCs postaram em um idioma diferente do inglês. Entre estes cincos, foram apenas 1 a 5 postagens em todo o ano. Ao todo, 60% das páginas exibiam mulheres em cerca de 50% de seus posts, afro-americanos foram apresentados em 12% a 14% das postagens de cada página e hispânicos em 5% das postagens. Comparando com os dados demográficos, a disparidade social é evidente. Brancos e asiáticos estavam significativamente super-representados, enquanto hispânicos e afro-americanos estavam sub-representados nas mensagens de mídia sociais.

Quando comparado ao censo dos EUA, a super-representação de asiáticos e a sub-representação de hispânicos persistiram. Cidades com no mínimo 20% de AA ou hispânicos apresentaram maior proporção de imagens e vídeos. Além disso, o alcance da mídia social para quem não fala inglês se mostrou ínfimo.

TWITTER PARA TREINAMENTO MÉDICO

Considerando que médicos trainees estão cada vez mais utilizando plataformas de mídia social para desenvolvimento profissional, networking e educação, os bate-papos no Twitter seriam uma ferramenta crescente para envolver os profissionais de saúde em discussões interdisciplinares virtuais e multi-institucionais.

Esta foi a motivação do estudo “Viabilidade do desenvolvimento de um Clube de Periódicos no Twitter para Educação em Hematologia/Oncologia”. Os autores criaram uma conta no Twitter (@HOjournalclub) e registraram uma hashtag certificada (#HOJournalClub). Para cada bate-papo mensal, foi selecionado um tipo específico de tumor e publicação relevante. Esta informação foi divulgada e ampliada para haver maior alcance. Um especialista em conteúdo foi convidado a cada bate-papo para fornecer comentários adicionais.  

O trabalho mostra que a maioria dos novos seguidores é formada por médicos trainees (83%) ou profissionais de saúde dos Estados Unidos. Seguidores adicionais estão na América do Sul, África, Reino Unido, Europa, Oriente Médio, Índia, Extremo Oriente e Austrália. O gênero é distribuído igualmente (51% masculino e 49% feminino). Até a publicação, cinco bate-papos #HOJournalClub foram realizados. Cada um atraiu uma média de 30 participantes, gerando uma média de 217 tweets. Os bate-papos obtiveram uma média de 270.000 impressões (221.000-319.000) nas 48 horas após o evento. A maioria dos participantes acessou o bate-papo em tempo real, com um pequeno subconjunto respondendo em horários alternados. Os autores acreditam que esse uso assíncrono aumentou a participação internacional.  

Os participantes da pesquisa relataram que a participação aumentou a interação com outras pessoas no campo, melhorou as habilidades de avaliação da literatura e levou a mudanças na prática clínica. Com isso, os autores concluem que a implementação de um clube de periódicos baseado no Twitter é viável e atrai a participação de estagiários, promovendo o engajamento e o trabalho em rede. Representa assim, na opinião deles, uma nova ferramenta educacional para o engajamento na discussão multi-institucional, multinacional e interdisciplinar da literatura relevante em Hematologia/Oncologia.

VÍDEOS QUE EDUCAM SOBRE CÂNCER DE PÂNCRES

O terceiro estudo sobre mídias sociais da ASCO 2020 relatou a experiência do The National Pancreas Foundation com uma atividade de educação em vídeo sobre diagnóstico e tratamento de pacientes com câncer de pâncreas. O estudo em questão é o “Efeito da educação do paciente por vídeo no conhecimento e comportamento do câncer de pâncreas”.

Cada atividade teve a duração de uma hora, sendo transmitida ao vivo e on-line, seguida pela liberação sob demanda no CancerCoachLive.com e pela plataforma de vídeos do Facebook por 12 meses entre 2018 e 2019. Os recursos incluíram discussões em painel, slides, pesquisas ao vivo, sessão de perguntas e respostas e vinhetas em vídeo de experiências reais dos pacientes.

A atividade foi criada partindo do conceito de que os resultados do tratamento para o câncer de pâncreas são otimizados quando pacientes/cuidadores estão envolvidos e bem informados. O objetivo foi ampliar o engajamento do público e ampliar o entendimento sobre diagnóstico, gerenciamento médico e estratégias de câncer de pâncreas para minimizar os efeitos colaterais e maximizar a qualidade de vida.

No total, 6.276 pacientes participaram da atividade. As perguntas dos pacientes antes e durante a atividade focavam no conhecimento básico sobre a função da glândula, desenvolvimento de tumores pancreáticos, escalonamento de doenças e tratamento médico. O prognóstico e a expectativa de vida eram as principais preocupações dos participantes.

Dois meses após a avaliação educacional, 33% relataram uma melhor comunicação com seus profissionais de saúde em relação ao câncer de pâncreas; 46% relataram sentimentos aprimorados de estar mais “no controle” das decisões de cuidados de saúde e 25% relataram ter adotado um melhor comportamento quando ao cuidado com a saúde.

Com isso, os autores concluem que a educação do paciente/cuidador sobre o câncer de pâncreas produz ganhos de conhecimento e comportamento, melhora o envolvimento do paciente/cuidador, melhora a tomada de decisão sobre o tratamento e maximiza a qualidade de vida.

Referências bibliográficas

Velazquez AI. Social media use among NCI designated cancer centers: Where is the diversity? J Clin Oncol 38: 2020 (suppl; abstr 11003).

Henry E et al. Feasibility of developing a Twitter journal club for hematology/oncology education. J Clin Oncol 38: 2020 (suppl; abstr 11004).

Turell W. Effect of video-based patient education on pancreatic cancer knowledge and behavior. J Clin Oncol 38: 2020 (suppl; abstr 11005).

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Blog do jornalista Moura Leite Netto, botonista amador, osasquense, são-paulino, torcedor também do Napoli, Lakers e Patriots e mestre e doutorando em Oncologia.

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